Relatório de Atividades

Relatório de atividades do Grupo de Estudos do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (GENIGS)

Período de Março a julho 2015

           O Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS), coordenado pela Profª Drª Miriam Pillar Grossi, promoveu, ao longo do primeiro semestre de 2015, o Grupo de Estudos do NIGS – GENIGS. O Grupo de Estudos foi coordenado pela Profª Drª Tânia Welter e pela  Pós-Doutoranda Marisa Naspolini. O GENIGS teve como objetivo realizar formação teórica e metodológica sobre gênero, sexualidade, educação e políticas públicas da equipe de bolsistas vinculadas/os ao projeto Papo Sério e ocorreu nas quartas-feiras, com horário de 16h30min às 18h. A dinâmica dos encontros foi a seguinte: começava com um/a pesquisador/a convidado/a expondo o tema e apresentando sua pesquisa e/ou trabalho, a seguir abria-se para perguntas, comentários e discussões. Todas as sessões tinham um texto indicado para leitura.

             O Grupo de Estudos contou com a participação de pesquisadoras/es vinculadas/os ao NIGS e a outros núcleos de pesquisa da UFSC.  Os encontros contaram, em média, com a presença de trinta pessoas, incluindo estudantes e pesquisadores da graduação, mestrado e doutorado.  Os encontros ocorreram em diversos espaços da universidade: mini-auditórios, salas de reuniões, salas de aulas. Apesar de centralizado principalmente no CFH, também foram utilizados espaços do CCE  e CED.

A primeira reunião do GENIGS ocorreu no dia 25/03/2015 com a participação de Melissa Barbieri, doutoranda do PPGICH, e teve como tema “Transexualidades”.  Melissa trouxe uma discussão relacionada aos conceitos e identidades de travestis, transexuais e transgêneros.  Também mencionou questões como o nome social, posteriormente debatido como tema central em um dos encontros.

Na semana seguinte, 01/04/2015, o grupo de estudos contou com a exposição da mestranda do PPGAS, Virgínia Nunes, com o tema “Homofobia na escola”. Durante a explanação Virgínia expôs o conceito de diversidade com aspas, referenciando Manuela Carneiro da Cunha, para pensar contextos locais de dispositivos educacionais oficiais.  Apontamento importante feito durante a palestra foi o de que a evasão escolar também pode ser motivada por violências contra pessoas fora das normas impostas de gênero e sexualidade.

A doutoranda do PPGAS Anahi Guedes de Mello foi a convidada para discutir o tema “Estudos da deficiência e Teoria Crip”, no dia 08/04/2015. Anahi aponta que enquanto a teoria queer postula que a sociedade contemporânea é regida pela heteronormatividade, na teoria crip sua máxima se sustenta pelo postulado da corponormatividade. Assim, reflete sobre o impacto causado pela teoria queer nos estudos sobre deficiência e tendo a deficiência como uma categoria analítica.

“O nome social e o nome civil” foi o tema da sessão apresentada conjuntamente entre Melissa Barbieri e Crishna Correa, doutoranda do PPGICH, no dia 15/04/2015. As doutorandas falaram sobre os trajetos e percalços do uso do nome social na universidade, das dificuldades burocráticas, dos processos judiciais etc. Também fizeram uma explanação crítica sobre o Projeto de Lei João Nery e da lei Argentina referente ao nome social, que serviu de inspiração para a proposta feita aqui no Brasil.

Na semana seguinte, a apresentação da temática foi compartilhada entre Jainara Oliveira e Anna Amorim, ambas doutorandas do PPGAS, falando sobre  “Lesbianidades”. Dentro dessa temática Oliveira e Amorim abordaram questões como envelhecimento, conjugalidades, identidades lésbicas etc. Ainda trouxeram o conceito de heterossexualidade compulsória, trazendo reflexões da professora, poetisa e feminista Adrienne Rich.  Também definiram a lesbianidade como uma identidade com intencionalidade política. Este encontro ocorreu no dia 29/04/2015.

O sexto encontro foi apresentado por Carmelita Afonseca da Silva, doutoranda do PPGAS, no dia 06/05/2015, com o tema “Questões de gênero e violência contra as mulheres”. Carmelita abordou principalmente o contexto econômico-sócio-cultural de Cabo Verde, onde desenvolveu pesquisa analisando as narrativas de mulheres vítimas de violência conjugal, pensando a violência na intimidade enquanto resultado da assimétrica relação de poder presente nas relações sociais, poder tomado, neste contexto, como campo de força onde não só se verifica a sua reprodução, como também, a probabilidade de deslocamento.

O GENIGS de 20/05/2015 contou com a presença do Prof. Dr. em Ciência Política argentino, Mario Pecheny, falando sobre “Políticas de Sexualidade e Gênero na América Latina”. Nessa palestra o professor falou sobre a união civil aprovada em 2001, em Buenos Aires, e como a Igreja Católica se opôs à união civil e fez um resgate histórico do apoio da Igreja à Ditadura na Argentina.. Também trouxe reflexões sobre o reforço moral feitos por movimentos sociais nas reivindicações por direitos humanos.

27/05/2015 teve como tema “Projeto Magdalena: performance e gênero em uma rede de mulheres”. A apresentação desta sessão do GENIGS ficou sob os cuidados de Marisa Naspolini, pós-doutoranda do PPGAS. O Projeto Magdalena (The Magdalena Project) é uma rede internacional de mulheres de teatro e performance que surgiu como espaço de discussão, troca e apoio mútuo buscando gerar visibilidade ao trabalho artístico de mulheres. Marisa explica que o percurso criativo e os modos de atuação tem uma forte presença da subjetividade como ato criativo. Pensando noções como “sujeito nômade”, analisa os caminhos das subjetividades femininas na cena contemporânea.

Pensar nos limites a avanços no campo da política no que tange ao direito das mulheres estarem na política foi a discussão proposta pela mestranda do PPGAS Alessandra Ghiorzi, no encontro do GENIGS de 03/06/2016, que abordou vários temas, entre eles o lugar da presidenta Dilma na política atual.

No dia 10/06/2015 foi a vez da professora da Fundação Carlos Chagas, Sandra Gouretti Unbehaum, ministrar palestra. Com o tema “As políticas educacionais no Brasil e os desafios para lidar com as questões de gênero, raça e diversidade sexual”, Sandra expôs garantias estabelecidas legalmente, como as ações afirmativas e os PCN’s de 1998 que determinam a orientação sexual como temática a ser incluída transversalmente no currículo.

A dupla que apresentou no encontro do dia 17/06/2015 foi composta pela estudante de graduação em Ciências Sociais, Luciana Silveira, e pelo mestrando do PPGAS, William Conceição, com o tema “Intersecções entre gênero e relações étnico-raciais: diálogos entre representações literárias nos movimentos estéticos e de mulheres negras”. William falou sobre a representação das mulheres negras em Jorge Amado. Luciana, como única mulher negra da turma de ciências sociais de 2011-2, contou sobre sua trajetória acadêmica e política/militante.

Finalmente, no dia 01/07/2015, o 12º e último encontro do GENIGS teve a participação da doutoranda do PPGICH Izabela Liz Schlinwein para falar sobre o uso do método cartográfico para mapear feminismos na América Latina, com o tema “Feminismo no século XIX”.

Ao total o GENIGS alcançou diretamente 133 pessoas vinculadas à UFSC, UNIPLAC, UDESC, SENAC,UFPR, UFG e University of Kansas. O Grupo de Estudos do NIGS foi um importante espaço de discussões teóricas e aprendizagem, mas foi igualmente importante ter possibilitado a troca de experiências de pesquisas entre uma diversidade de pessoas e objetos, análises e bases teóricas diferentes. Além disso, serviu como um espaço de sociabilidade e convivência entre pesquisadoras/es de núcleos diferentes já que no dia-a-dia das correrias acadêmicas pouco tempo sobra.